Pode até parecer absurdo, mas sim o Alberto, o protagonista de nossa sitcom, aquela criatura politicamente incorreta e quase que feita só de sarcasmo, existe. E se eu não fosse ser processada por isso diria o verdadeiro nome dele e até onde achá-lo. Rsrsrs.
Eu trabalhei na Liga Norte Riograndense Contra o Câncer de 2002 até 2006. O trabalho era péssimo porque visualizem eu , uma pessoa capaz de queimar miojo (devem tá se perguntando: como?, mas é super fácil) trabalhando como gerente de alimentos e bebidas... Quase morri no começo, mas em prol do capitalismo eu continuei um tempão. E apesar do trabalho ser insuportável, algumas coisa me faziam gostar de acordar cedo e meter a cara no trabalho.
Uma das coisas mais legais de se trabalhar num hospital é que TODO MUNDO tem humor negro. Num tem essa de contar uma piada e o povo não entender... As pessoas sacam e gostam! Do faxineiro ao diretor do hospital, todo mundo se diverte, e muito, brincando com a morte. Uma das pessoas mais divertidas que eu tive a honra de conviver foi o tal "Dr. Alberto", criatura engraçada, sarcástica e insuportável ao mesmo tempo. Ele é ginecologista, cirurgião geral e passa 90% dos seus dias de plantão... Mas, ao mesmo tempo em que consegue ser chato, ele também é adorável pela sua compaixão, um tanto escondida, mas imensa.
E o melhor de tudo é que ele tem um genro, que também é médico, e que eu acompanhei boa parte do seu crescimento profissional. George, o genro de "Dr. Alberto", chegou na LIGA como doutorando e os concluintes em medicina são menos que nada em grandes hospitais; eles só vão ganhar algum respeito quando começam a fazer alguma residência,mas, enquanto isso, eles são massacrados pelas enfermeiras, técnicas de enfermagem... Aliás, qualquer pessoa que tenha trabalhado no hospital, por dois meses que seja, sabe mais do que o pobre coitado que tá terminando os seis árduos anos da escola de medicina, mas nunca trabalhou na área. Mas, George era diferente, ao contrário de todos, ele gostava de ser chamado pelo nome e não de doutor. Era simpático com todo mundo, errava MUITO e sempre. Eu que não sei NADA de medicina, mas só pela experiência em ler prontuários, eu sabia quando ele tava fazendo "caquinha"... E, além de tudo, ele era muito atrapalhado, mas era muito divertido conviver com essa criatura, porque ele era o nosso "Carter" , tão fofo, persistente e desastrado quanto o verdadeiro Carter, protagonista do seriado médico americano "E.R.".
E claro George era orientando do nosso "Alberto" e sofria horrores! Era gritado nos corredores; às vezes passava mais de 24 horas direto no hospital por castigo por ter feito algo errado (quando eu falo "algo errado" é: prescrever soro errado, prescrever dieta errada, ou simplesmente chegar para aquele paciente com um câncer inoperável e falar: amanhã nós faremos uma cirurgia e o senhor vai ficar bem! Sendo que essa tal cirurgia, era só uma "laparatomia exporadora"... que é basicamente´abrir e fechar o coitado do paciente, só pro médico ter certeza que o paciente é FPT, ou seja, fora de possibilidades terapêuticas...). Mas, de tudo que George aprontava o mais "divertido de ver" era quando ele atendia um paciente com um tumor na cabeça e dois minutos depois ele chegava pra "Dr. Alberto" dizendo: examinha minha cabeça, porque eu tenho certeza que eu tô sentindo um nódulo. Ele sentia TODAS as doenças dos pacientes que atendia, e isso era hilário! Inclusive, Dr. Alberto às vezes deixava ele achar que tava doente por algum tempo só pra irritá-lo, até que uma alma caridosa chegava pra George e falava que ele só tava tirando sarro dele.
É isso, em breve mais histórias e espero que, dessa vez, do nosso querido A.B.S.T.E.R.
Ah, só ressaltando que hoje George é um ÓTIMO médico. E ele não mora mais aqui em Natal.
bjs
Taty =)
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